"There's a fear I keep so deep / Knew it name since before I could speak (...) If some night I don't come home / Please don't think I've left you alone"- Keep The Car Running, Arcade Fire

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tudo ao mesmo tempo agora

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas por me ausentar deste espaço no feriadão... Ao menos parcialmente, já que, mesmo não contribuindo com textos para o TATP, sempre que possível dava uma espiada no blog. Aliás, gostaria de parabenizar o meu amigo Ricardo, que não deixou a peteca cair e, pelo contrário: publicou ótimas postagens neste diário virtual.

O feriado de Finados, ao menos para mim, começou dentro de um ônibus. Aliás, dentro de vários. Primeiro, de Angra dos Reis ao Rio de Janeiro; depois, do Rio a Petrópolis. Isso sem contar com outros dois ônibus de linha – para chegar, finalmente, na casa da mãe da minha namorada. Mesmo assim, a empreitada valeu. E muito! Durante todo o percurso, ouvi muitas coisas no meu Ipod. O último disco lançado pelo Arcade Fire, “The Suburbs” – muito bonito, mas um pouco cansativo –, o mais novo álbum do Belle & Sebastian, “Write About Love” – irregular, mas com boas canções –, e "Lady’s Bridge”, de Richard Hawley, CD que foi lançado em 2007 e que eu só fui descobrir há dois meses, infelizmente. Hawley é um cara estiloso. Acima de tudo, é um cantor e compositor talentoso ao extremo. No trabalho dele, as influências de Roy Orbison, Johnny Cash, Morrissey e dos Elvis – Costello e Presley – são muito bem costuradas, e resultam num folk/rockabilly/country de qualidade, lindo de doer. Difícil não ouvir por trocentas vezes músicas como “Valentine”, “Serious” e “Tonight The Streets Are Ours”, esta última, uma das coisas mais bonitas que eu ouvi recentemente... Ouvi e também assisti, aliás: fiquei sabendo da existência de Hawley através do blog “Trabalho Sujo”, que estampou um vídeo da citada canção sendo apresentada ao vivo, no “Later With Jools Holland” – o melhor programa de/sobre música do mundo. Emoção pura. Hawley com seu topete e suas costeletas fora de moda, com seu violão e seu terno prateado. Hawley e sua banda tocando sem pose alguma, sem afetação. Hawley com sua voz límpida e profunda, brindando a plateia com uma declaração de amor dos nossos tempos, matadora. Talvez eu esteja viajando, já que, na opinião da minha namorada, a música lembra alguma coisa do Odair José. Eu discordo, mas afirmo que se ela citasse o Wando, faria mais sentido: esse cara merece uma saraivada de calcinhas, em todos os shows!

Saindo da música e indo para o terreno literário, durante a viagem fui devorando aquele que é considerado o volume mais importante do escritor mineiro Fernando Sabino, “O encontro marcado”. Já havia lido “O menino no espelho”, um livro sobre a infância, que é capaz de amolecer os corações mais duros – o meu, como não se encaixa nessa definição, já havia derretido na página cinco. Mesmo assim, o volume vai além, tratando não apenas da primeira etapa de nossa existência, mas dos anos em que nos sentimos perdidos, inseguros. Devo seguir qual direção? O que vai ser de mim? Qual é o sentido disso tudo? Minha definição sobre a ideia central da obra pode até parecer abrangente, mas não é. Sabino oferece, através de seu inesquecível personagem – Eduardo Marciano –, uma prova da dor que todo o ser humano sentiu/sentirá durante o período em que esteve/estiver por “essas bandas” – leia-se vida. Está sentindo essa dor agora? Mais um para o clube.

                               
Ah, sim: já em Niterói, na casa da minha namorada, assisti a dois filmes. O primeiro foi muito bom, e contava a...

Peraê: muito bom o cacete! “A promessa” é um filme tão, mas tão perfeito, que merece um post a parte. E ele será publicado amanhã, sem falta.

Eu ia falar do feriado e acabei escrevendo mais sobre o tempo em que fiquei dentro dos ônibus. Também pudera: fiz tantas coisas legais que teria que ficar aqui a noite toda, escrevendo. Vamos por partes, como diria Jack, O Estripador.

Por Hugo Oliveira



Deus existe? O Diabo, com certeza

4 comentários:

  1. Fala, Hugo!

    Já baixando o Richard Hawley, pelo seu comentário não tem como não eu não gostar. Assim que ouvir com calma, comento!

    'O encontro marcado' é simplesmente um dos livros da minha vida, e Eduardo Marciano um dos grandes personagens da literatura brasileira! Agora que leu o livro, recomendo um texto do João Paulo Cuenca, 'Eu, Eduardo Marciano', dá uma olhada:

    http://algumacronica.wordpress.com/2007/09/10/eu-eduardo-marciano-o-globo-07102006/

    Abraço!

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  2. Parabéns pelo texto, ainda não li este livro, mas fiquei com vontade de conhecer. Já em relação ao Richard Hawley, tenho que concordar com a sua namorada, rs. Mas este vídeo de Valentine é fora de série: http://www.youtube.com/watch?v=XVihcsjZKL4

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  3. Pô, Norielem: a música é linda, vai! A propósito, o clipe de "Valentine" é realmente ótimo!

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  4. VISITE O BLOG HTTP://BLOGOLINO.WORDPRESS.COM

    E LEIA ISSO.....

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