"There's a fear I keep so deep / Knew it name since before I could speak (...) If some night I don't come home / Please don't think I've left you alone"- Keep The Car Running, Arcade Fire

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

You make me real


2010 foi um ano estranho e agora já sei o porquê. É que ano passado não encontrei nem uma vez duas das minhas melhores amigas: Marcella e Ingrid. Provavelmente as duas pessoas que estiveram mais próximas a mim durante a faculdade, sem contar meu irmão, que morou comigo.

Conheci a Marcella na Letras em um dia muito doido e mal nos conhecemos, disputamos quem conseguia falar mais sacanagem. Assim, do nada. Fomos nos encontrando e nossa amizade se estreitou quando ela foi morar no Alojamento, vizinha da Patrícia, que já era minha amiga, trabalhava comigo. É praticamente tradição, saímos eu e Marcella juntos, ‘se tudo der certo, vai dar merda’. São milhões de histórias, festas doidas no alojamento, show bêbado do Los Hermanos, companheira no meu aniversário mais maluco, juntos num dos aniversários mais malucos dela (lembra o que a gente tentou organizar esse dia?? rs), por pouco não me viu desmaiar quando fomos doar sangue e, nesse dia, roubou lanche do velhinho (!!!!), cafés na cantina, me aturar com crise renal de manhã cedinho no quarto dela, confidências, esporros, crise de ciúme no show do Barão (e eu não peguei a amiga... mereci! rs), torcer junto com ela pro Fluminense - aliás não há como não pensar nela em cada vitória do seu Flu -, chopadas em que não se sabia quem tava tomando conta de quem e por aí vai...

Ingrid é quase o Ricardo de saias. Conheci no primeiro período da faculdade, primeiro tempo de aula, entrei e o professor não havia chegado. Sabe-se lá porque, empolgado com mais uma boa fase ilusória do Botafogo, escalei o time no quadro e comecei a traçar esquema tático para alunos atônitos, quando uma japonesinha morena fala: “ei, também sou botafoguense!”. Pronto, de Botafogo pros Beatles não durou cinco minutos e de identificação em identificação ficamos inseparáveis. Discos trocados, cervejas e mais conversas emocionadas no seu Ary, um período perdido de psicologia da educação em que saíamos pra reitoria toda semana (talvez um dos cursos mais produtivos da faculdade rs), show da Blackbird na Ilha, meu aniversário em Angra, filmes e leituras compartilhados, derrotas inexplicáveis e vitórias épicas do Botafogo, seu ‘Elis e Tom’ é meu ‘Chico e Bethânia’, quantos “ouvi uma banda que você precisa ouvir!!” de parte a parte, a mesma preguiça do mundo e vontade de se isolar às vezes e de repente querer fazer tudo e ver todo mundo ao mesmo tempo.

Essa semana consegui encontrar as duas. Segunda fui à casa da Marcella e entre histórias relembradas, atualização das novas histórias e muitos risos, pude conhecer sua filha, Julieta, linda, linda. Fiquei emocionadão de estar com a filha dela e nem falei na hora. Por que a gente é assim? Na terça encontrei Ingrid no Centro e, fora a saudade, é como se não nos víssemos há algumas horas, está tudo ali. Além de contar tudo (em detalhes, como ela gosta), os mesmos assuntos sob novas abordagens. 

Estaremos sempre juntos. Quero que a gente envelheça como a velhinha que encontramos uma vez em um dia inesquecível, de um show do Skank em Copacabana em que estivemos os três, Ricardo, Ingrid e Marcella. Conversamos, bebemos, nos divertimos juntos e uma senhora estava no bar quando chegamos, antes do show, e no pós, ao voltar, ela estava lá curtindo com as amigas. Cada vez mais, consigo nos imaginar velhinhos discutindo, sei lá, a monogamia ou a falta de sentido da vida.

Não fico mais tanto tempo sem encontrá-las, tendo visto as duas tenho certeza que 2011 será um ano melhor. Estar com elas me faz bem, cada uma de um jeito me faz enxergar as coisas como são, me dão força e conseguem fazer com que o Ricardo seja mais Ricardo, para o bem e para o mal. Não é pouco, vocês sabem.

on the way home
 Por Ricardo Pereira

2 comentários:

  1. O engraçado é que enquanto eu lia escutava a tua voz, com as mesmas pausas e o mesmo tom que você lia os textos na sala de aula.

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  2. Oi Hortencia, legal você falar isso, tem uma amiga que diz que quando lê meus textos sempre me imagina falando! Espero que isso seja bom! rs

    Beijo

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